LUANDA | HOTEL INTERNCONTINENTAL

2 dias / 4 temas
22 oradores / 6 workshops
Fórum Internacional da Mulher para a Paz e Democracia

25 à 26 de Maio de 2023

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Maio 17, 2023 Bienal de Luanda0
Líderes da África Oriental promovem processo de paz no leste da República Democrática do Congo, com uma nova “matriz” de iniciativas e a ratificação do cessar das hostilidades pelo exército congolês e o M23.

Um acordo foi alcançado numa cimeira extraordinária que teve lugar em Bujumbura, no Burundi, com a presença de chefes de Estado de países da África Central e Oriental e que teve por objetivo discutir a situação de segurança no leste da República Democrática do Congo (RDC).

Numa declaração ratificada pelo Presidente congolês democrático, Félix Tshisekedi, e pelo seu homólogo ruandês, Paul Kagamé, em representação dos dois países em conflito, os presentes na cimeira apelaram mais uma vez à “cessação mediata das hostilidades por ambas as partes” e o fortalecimento “do processo político” para negociar o encerramento definitivo das hostilidades.

Entretanto, dirigentes africanos ratificaram também o seu apoio ao roteiro da paz concluído em Luanda, Angola, em julho de 2022, para resolver a crise diplomática aberta depois de o presidente da RDCongo ter acusado o seu homólogo do Ruanda de apoiar a ofensiva liderada pelo Movimento 23 de Março (M23) na região, acusações que o Ruanda rejeita de forma categórica.

Na província congolesa do Kivu do Norte, o grupo rebelde M23 apoderou-se de grandes territórios ricos em minerais e continua a avançar.

 


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Maio 17, 2023 Bienal de Luanda0

1. Poderia falar-nos do seu trabalho como jornalista?

Comecei a publicar crónicas num jornal criado no liceu Salvador Correia, em 1973, em Luanda. Mais tarde, fui colaborador do Jornal de Angola, publicando artigos e caricaturas, pois também sou desenhador amador. Nos anos 80, entrei para os quadros do Jornal de Angola, como chefe da Área Editorial e da Cultura. No final da década de 80, fui trabalhar para o UNICEF Angola, como Assistente de Informação. Em 2008, entrei para a diplomacia e fui a Paris, trabalhar na Representação de Angola junto da UNESCO, como Adido de Imprensa, cargo que deixei em 2021, para dirigir o jornal CULTURA, em Luanda. Estou aposentado, mas prossigo com um programa de língua
portuguesa na TPA e entrevistas em diversos órgãos. Este ano, recebi o Prémio SADC de Jornalismo, na categoria de Imprensa. Já em 2005, tinha sido galardoado com o Prémio “CNN- Multichoice de Jornalismo”, na mesma
categoria.

Os média podem e devem propagar a paz, dando margem a que todos se pronunciam.

 

2. Considera que a imprensa e os mídias têm uma responsabilidade na promoção da cultura de paz?

A maior das responsabilidades. O conflito no Ruanda começou com um programa na rádio, que alimentava o ódio entre hutus e tutsis. Os média podem e devem propagar a paz, dando margem a que todos se pronunciam, sem exclusão de partes e que estas partes se digladiem, com urbanismo, respeito e civilidade.

 

 

3. Angola venceu o 1º lugar no Prémio de Jornalismo SADC de 2021, na categoria de imprensa, com um artigo de sua autoria intitulado “A síndrome do isolamento cultural entre as nações da África Austral”. O que significa para si esta vitória?

Geralmente em África, mais do que noutras latitudes, o que domina é o discurso e a vontade dos políticos. Os intelectuais têm pouca voz e participação decisiva nas grandes áreas do desenvolvimento regional ou pan-africano, porque não são ouvidos, não são convidados para as cimeiras da União Africana ou outros fóruns. Quando se ganha um prémio regional, em qualquer área, o público desperta para conhecer a obra do vencedor. Se o meu artigo sobre a invisibilidade cultural dos nossos países na África Austral for lido pelos nossos dirigentes na SADC esse seria o meu maior prémio. Porque levanto uma questão muito actual e pertinente. Nós, africanos, não podemos continuar de costas viradas uns para com os outros.

 

 

4. Além de ser jornalista, professor, escritor, também é poeta e ganhou o Prémio de Poesia Sagrada Esperança em 1981, e o Grande Prémio Sonangol de Literatura em 1989. Pensa que os artistas têm também 
um papel a desempenhar na cultura da paz?

Um papel relevante. O nosso mundo é um lugar muito perigoso para viver. Construir os fundamentos da paz é um dever de cada artista. A Minha maior preocupação tem sido com a educação das crianças e dos jovens. Por isso,
sou professor e tenho desenvolvido projectos ligados à escola primária e à educação em geral nas comunidades. Nós, os artistas, devemos dedicar mais tempo a interagir com as crianças, e a forjar atividades lúdicas que
lhes ensinem o respeito pelo outro, o respeito pela diferença e pelo meio ambiente.
5. Que conselhos daria a jovens africanos que gostariam de participar no jornalismo?

O jornalismo é uma das profissões mais perigosas do planeta. Mesmo assim, atrai muitos jovens, devido ao desafio que é comunicar. Esta é uma tendência inata do ser humana, desde os tempos das cavernas. Os jovens aspirantes à carreira de jornalista devem, primeiro, dominar a língua de trabalho. Em segundo lugar, devem ter uma Cultura Geral sólida. Um dos elementos dessa Cultura Geral é o conhecimento da História Geral de África, da História dos seus países, um pouco de filosofia, geografia e ciência. Em suma, o aspirante a jornalista deve ser uma pessoa ávida de conhecimento, para publicar peças jornalísticas de qualidade universal. Para isso, deve ler muito, desde romances, contos, jornais, revistas, ver filmes educativos e participar em debates sobre diversos temas. E, sobretudo, ser um humanista, dominando a Convenção sobre os Direitos da Criança, a Declaração dos Direitos do Homem, a Carta Africana do Renascimento Cultural e outros normativos universais.


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Maio 17, 2023 Bienal de Luanda0

Foi nomeado Artista da Paz da UNESCO em Outubro de 2021

Ele usa o desenho, aguarela, pintura, escultura, fotografia, instalação e performance para questionar a nossa humanidade. Através das suas criações no cruzamento de culturas, ele explora as disfunções do mundo a fim de melhor o denunciar e questiona o estatuto dos estrangeiros, migrantes, imigrantes e a dificuldade para eles em construir uma identidade.

“A cultura é uma arma para a paz”

1. Foi recentemente nomeado Artista da UNESCO para a paz pela Diretora-Geral da UNESCO, Senhora Audrey Azoulay, o que significa esta nomeação para si?

A minha nomeação como Artista da paz pela Senhora Audrey Azoulay Directora-Geral da UNESCO, deu-me muita alegria e conforto nas minhas escolhas como cidadão e artista.

Este reconhecimento permite-me intagrar uma comunidade bem estabelecida de atores da paz, cuja diversidade de ações suscita já a minha curiosidade em termos de partilha de experiências, de transmissões no terreno. Sem dúvida, ações a uma velocidade de realização superior, graças às redes bem implantadas.

É uma missão que se exerce dentro de um quadro específico que consiste em trazer de volta ao centro a luta pela causa humana.
2. Você é um artista multidisciplinar: você desenha, aquarela, pinta, mas também escultura e fotografia. O que pretende transmitir nas suras diferentes obras?

A cultura é uma arma para a paz. [Ela permite de] “estender a mão” às populações oprimidas nos quatro cantos do mundo, como durante o apartheid, as guerrilhas, a Primavera Árabe, o Genocídio do Ruanda, ou no Congo.

A série “Head Above Water” é um exemplo de uma obra artística   em perpétua expansão. A cartografia desta série é um sintoma dos males que assolam o mundo do século XXI, “Head Above Water” é uma série que continua.

[É] um desafio a ser assumido com um programa comum a ser transmitido onde os bens da liberdade, do conhecimento, da educação, da luta contra o obscurantismo, do desejo de humanidade, do respeito  às normas levem à paz e à emancipação.

3. Você aborda em suas obras temas como a identidade ou a migração, pode nos dizer mais?

Sou um artista testemunho do mundo que me rodeia e no qual circula, porque viajo muito. Então eu vejo e devolvo a memória das pessoas esquecidas, da natureza que eu celebro em minhas criações.

4. Como promover mais os talentos artísticos africanos?

Espero que políticos, colecionadores, artistas, funcionários de todos os tipos, repensem as políticas culturais e sociais.

Existe um desequilíbrio flagrante entre artistas do continente (diaspóricos e afrodescendentes) que pode ser explicado pelo aumento de artistas e pela ausência de uma política cultural e de patrocínio de empresas, galerias, colecionadores, museus, leiloeiras adequadas para apoiar esta produção.

Hoje, grande parte do apoio encontra-se no Ocidente, as obras estão em museus, em colecções privadas do outro lado, legitimamente e pagas a um preço alto !! Devemos nos precaver contra investimentos medíocres e resignação política no campo da arte, que está sendo confiscado.

5. Pode falar-nos do seu projecto cultural nos Camarões «Bandjoun Station»? Qual é a ambição deste projecto?

Após a constatação de que não havia museus suficientes em África, e que a arte clássica africana era apresentada exclusivamente em museus ocidentais, criei um espaço que mistura arte, os workshops, ou ainda as residências artísticas, bem como a agricultura biológica.

A  Bandjoun Station é de fato um projeto muito pessoal, localizado nas planícies altas a oeste de Camarões é chamado de “La Prairie”. Este centro celebra a arte e a cultura em todas as suas formas. Uma residência para acolher influências de todo o mundo, artistas, coreógrafos, cineastas, etnólogos, historiadores, pesquisadores, curadores de exposições…

Esses convidados, em residência, realizam frequentemente os seus projectos com os habitantes da região, e em conexão com seu ambiente.

A Bandjoun Station [também] incentiva a população da planície a desenvolver uma agricultura saudável adequado para o consumo local: auto-suficiência alimentar, mas também uma importante plantação de café.

6. Que mensagem (ns) de paz você gostaria de transmitir a todas as pessoas que lerem esta entrevista? 

A paz no século XXI é o respeito das normas comuns e das liberdades individuais, sem escrúpulos e sem doutrina do ódio. Orgulho-me de estar associado aos valores da UNESCO: igualdade, fraternidade, paz, que me comprometo a continuar a reivindicar e a transmitir através das minhas práticas artísticas, e das minhas acções públicas tanto em Bandjoun, nos Camarões como em todo o mundo. Meço a incidência da minha responsabilidade, enquanto artista plástico, em defender e levar valores defendidos pela comunidade dos artífices da paz.

Viver juntos é formar um vínculo que determina o carácter único da existência social do homem graças à cultura cuja expressão principal se situa nas artes e nas ciências.


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Maio 17, 2023 Bienal de Luanda0

Descobri a minha identidade angolana com o tempo porque quando comecei a escrever, eu saia do futebol e a minha cultura amiga era o Brasil. As minhas primeiras composições tinham influências brasileiras que eram as influências que eu ouvia.

“Cada lugar deixou um rastro de influência, e

de melodia em todo o seu

sentido, e acaba por ser a inspiração.”

1. O que o motivou a juntar-se ao Playing For Change?

O acaso é que me levou a juntar-me ao Playing For Change. Eu estava a morar em Barcelona e fui de viagem ao Brasil, quando regressei, os meus amigos músicos disseram-me que estava lá um produtor americano. Fomos fazer a sua despedida, e foi aí que o Clarence Bekker me apresentou ao Mark Johnson. Fizemos uma gravação do Pemba Laka, e depois comecei a participar naqueles tours que eles faziam em Madrid, em Barcelona… e comecei a conhecer vários músicos e compositores de Africa do Sul, do Congo e de outros países.

2. Nasceu em Angola e imigrou para o Brasil com a sua família devido à guerra. Esta experiência e a sua educação influenciaram-no como artista? Tiveram algum papel na formação do seu estilo musical?

Na realidade, imigramos para a América do Sul. Estivemos em vários países (Paraguai, Chile, Brasil..) e depois fomos para Portugal. Inicialmente pensamos que íamos voltar para Angola, mas já se tinham passado seis anos e a guerra não acabava…
Lá em casa, nunca perdemos a conexão com Angola sempre se falava de Angola e sempre estivemos à espera de poder voltar. Quando por fim voltamos a situação não estava a funcionar por vários motivos, e decidimos então sair outra vez do país percorrendo o caminho inverso. Acabamos por ir morar para a Argentina onde ficamos sete anos. Quando fiz 19 anos, comecei a viajar sozinho, já sem a minha família. Joguei muito tempo futebol na Bolívia, na Argentina, em Venezuela, no Peru… e depois acabei em Espanha onde começou a minha carreira musical.

Sempre tive qualquer coisa com a música. Eu gostava de decorar as músicas e depois durante estas viagens fui conhecendo outros sons e sons tradicionais. Então quando comecei a compor foi impossível dar as costas a tantas influencias e acabei por fusionar um pouco de tudo (ritmos sul-americanos, brasileiros, semba…).

Descobri a minha identidade angolana com o tempo porque quando comecei a escrever, eu saia do futebol e a minha cultura amiga era o Brasil. As minhas primeiras composições tinham influências brasileiras que eram as influências que eu ouvia. Foi aí que eu comecei a ver que nas minhas composições tinha um ritmo completamente angolano que estava escondido por detrás (enquanto eu pensava que estava a tocar funk). Cada lugar deixou um rastro de influência, e de melodia em todo o seu sentido, e acaba por ser a inspiração. E só nos apercebemos disto quando já temos qualquer coisa feita, nunca projetei este tipo de coisas.

3. Na sua opinião, qual é a ligação entre a música e a paz? Como é que os artistas podem contribuir para a promoção do diálogo e da paz?

Acredito que na sua base, existe uma ligação directa entre a música e a paz. Quando o ser humano ouve a música está em paz. Partindo de aí, esta magia que transforma a atenção do ser humano, e que desvia as atenções menos boas (sentido de competição, ambição…) pois estas atenções são opacadas quando se toca música. O ser humano olha mais para si, e a música leva-o para um caminho onde pode ver as coisas de forma mais positiva e as coisas lindas que estão no mundo e que as vezes não sabe. Cada lugar deixou um rastro de influência, e de melodia em todo o seu sentido, e acaba por ser a inspiração.
Hugo Soares

4. A UNESCO lançou o ResiliArt para reforçar a resiliência no sector cultural.  Que mais poderia ser feito para capacitar os artistas durante estes tempos difíceis e para além deles?

Os artistas têm uma certa importância, são a cura das sociedades com as suas dificuldades, as suas tristezas, as suas injustiças. Acho que as pessoas responsáveis nomeadamente nos governos deveriam dar mais apoio aos artistas.  Os artistas precisam de apoio na parte logística, para que não caiam tão facilmente nas mãos das indústrias, que muitas vezes acabam por desviar a sua essência. Precisam também de mais possibilidades econômicas, precisam de direitos culturais para que possam cuidar a sua música e precisam de ser orientados para que não tenham tantas preocupações a nível de meios de subsistência. Resumindo, que possam se dedicar a criar sem tantas preocupações. Acredito que isto traria mais riqueza cultural, porque há muitos artistas excelentes, mas que estão abandonados.

5. Que conselhos daria aos jovens artistas Africanos que desejam seguir uma 
carreira na indústria da música?

Na minha opinião, o artista tem que cuidar de si, do seu ser humano. O artista é uma pessoa que está muito exposta, porque o seu talento já está exposto. Então tem que se cuidar muito mais do que o resto das pessoas porque precisa de força e resiliência para aguentar ser esse canalizador de emoções tão grande que é.
O artista também precisa de disciplina como nas outras áreas da vida e em qualquer outra profissão. O conselho que dou, a nível mais espiritual é que é necessário ter respeito pelo lugar e pelo momento, ter respeito pelo palco e o pelo momento de inspiração porque essa é a fonte.

6. Como podemos assegurar que os laços culturais entre a África e as suas diásporas sejam mantidos?

Vou dar um exemplo que tive com a música angolana, com o Pemba Laka. A música encantou, de facto, a música angolana em geral encanta. Mas aonde? E aonde é que as pessoas podem ouvi-la? Aonde é que há uma gira internacional dos artistas angolanos que vão diretamente com a sua banda para todo o mundo? Acho que as pessoas iriam adorar isso, mas ainda não há muito esse movimento.

Acho que o finca-pé deveria ser feito nos movimentos culturais e conseguir fazer com essas músicas sejam mais promovidas, mas também que sejam traduzidas. Muitas músicas são cantadas nas línguas nacionais, e precisam de tradução para que todos possam compreender as mensagens que estão por detrás. No estrangeiro já gostam de ouvir a nossa música, agora imaginem se percebessem.


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Maio 17, 2023 Bienal de Luanda0

Mário Gomes, músico, guitarrista e compositor angolano, nasceu a 26 de Novembro de 1996, e é o filho caçula de três irmãos. Começou a tocar baixo eléctrico aos 10 anos de idade e decidiu, dois anos mais tarde, pegar na guitarra, um instrumento que o caracteriza até hoje.

“ Cada lugar deixou um rastro de influência, e

de melodia em todo o seu

sentido, e acaba por ser a inspiração.”

1. Será que a arte precisa necessariamente de um determinado objectivo? De que maneira é que acha que a música e as artes contribuem para a paz e o diálogo entre as pessoas, que papel podem desempenhar os artistas?

Penso que sim. Para mim a arte é um dos grandes caminhos para a expansão da cultura da paz, pois sabemos que nós artistas somos fazedores de opiniões. Então é importante prestarmos bastante atenção ao teor do nosso conteúdo artístico, desde a forma como compomos, como da forma como relacionamo-nos com as pessoas que recebem a nossa mensagem musical. A adesão ao ResiliArt tem me beneficiado de várias formas. Lá encontro vários artistas com histórias de resiliência inspiradoras. Por intermédio deste magnífico projeto tenho tido a possibilidade e a oportunidade de apresentar a minha música para mais pessoas. Um grande momento foi a oportunidade de me apresentar no evento que celebrou as festividades da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz.

2. Como é que a adesão à ResiliArt Angola o tem beneficiado como artista?

A adesão ao ResiliArt tem me beneficiado de várias formas. Lá encontro vários artistas com histórias de resiliência inspiradoras. Por intermédio deste magnífico projeto tenho tido a possibilidade e a oportunidade de apresentar a minha música para mais pessoas. Um grande momento foi a oportunidade de me apresentar no evento que celebrou as festividades da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz.

3. Qual acha que é o valor acrescentado deste intercâmbio cultural realizado pela ResiliArt Angola com a cidade de Newark?

Eu penso que este intercâmbio cultural será bastante importante, pois a partir daí vamos poder trocar experiências com artistas que vêm de outras culturas e influências e nós de algum modo vamos também poder levar e dar a conhecer a nossa cultura e as nossas raízes. Eu penso que vai fortalecer mais os nossos laços culturais.

4. O que espera conseguir durante a sua estadia em Newark? O que espera transmitir sobre a cultura angolana?

Por lá eu espero obviamente conhecer histórias de outros artistas, e poder absorver mais sobre a experiência deles. Eu pretendo levar uma mescla musical do antigo ao moderno tentando ser o mais original possível e partilhar toda a nossa vivência quotidiana em forma de música para todos eles.

5. Tem alguma referência africana que o motive a fazer este trabalho?

Tenho sim. Um deles é o Lionel Loueke, um guitarrista do Benim ele é das minhas maiores influências musicais, porque ele consegue fazer a mescla da música africana de raiz com influências do jazz moderno.

6. Que conselhos daria a outros jovens que estejam interessados em integrar a indústria artística?

O principal de tudo o foco e a disciplina, não importa quais são as tuas condições para começar, o importante mesmo é começar. O talento é divino, mas o desenvolvimento deste talento depende da nossa (tua) força de vontade. Muita força para todos os jovens que almejam entrar para a indústria artística!